segunda-feira, 23 de maio de 2011

A chuva.


O tempo muda, as pessoas correm com medo do que vem por ai. A chuva vem e tras um novo espírito pra quem dentro de casa se esconde. A chuva vai e nada mudou desde sua chegada.
Corro de um lado pra outro a procura de algo que ainda não sei o que é. Talvez até saiba, só não sei como se chama, se é pessoa ou objeto. Não importa. Eu não ando querendo saber. "Pra quê a pressa, mocinha?" Rs. Ando lembrando muito dessa frase. E aprendendo com ela, muito.
É no tempo chuvoso que habita em mim o momento de reflexão. E também é nesse tempo que a tristeza impera e a saudade se faz presente. Mas nada que o aconchego da cama e uma boa música não nos faça relaxar e dormir, até quem sabe sonhar. E amanhecer mais um dia, com esperança de que hoje é um ótimo dia pra recomeçar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A dor que dói mais.


"Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer."


A linda da Martha Medeiros, aqui (:

quarta-feira, 11 de maio de 2011

abrir espaços..

Ao acordar de um pesadelo, percebo que o medo que se faz presente no ato entre acordar e o de ter realmente a certeza de que nada que acontecia ali é de fato real, me alivia. Mas não deixa de causar um impacto sobre mim. É assim que aconteçe geralmente quando uma coisa muito ruim aconteçe na minha vida. O medo se faz presente, eu me desespero e logo em seguida percebo que as coisas podem não ser tão ruim quanto aparenta ser, afinal, tudo vai depender do seu modo de ver. Eu acredito sim na força do tempo, no poder que as palavras tem e mais ainda que nada nessa vida é por acaso.





"Que eu possa também abrir espaço pra cultivar a todo instante as sementes do bem e da felicidade não importa quem seja ou do mal que tenha feito para mim. Que a vida me ensine a amar cada vez mais, de um jeito mais leve. Que o respeito comigo mesmo seja sempre obedecido com a paz de quem está se encontrando e se conhecendo com um coração maior. Um encontro com a vontade de paz e o desejo de viver.


Caio Fernando de Abreu.